Um terço dos brasileiros é hipertenso e quase metade desconhece a condição

No Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão, cardiologista alerta para os riscos da “pressão alta” e reforça a importância do diagnóstico precoce
Neste sábado, 26 de abril, é o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. A data foi instituída no Brasil em 2002 e tem o objetivo de conscientizar a população sobre os riscos dessa doença que costuma se desenvolver sem apresentar sintomas. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que a hipertensão atinja cerca de 30% da população adulta no mundo, incluindo o Brasil.
A hipertensão arterial, popularmente conhecida como pressão alta, é uma condição crônica em que a pressão do sangue nas artérias se mantém elevada de forma persistente. Quando não diagnosticada e tratada corretamente, a doença pode levar a complicações graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e danos renais.
“Não é porque você se sente bem que está tudo certo. A hipertensão não avisa.”
O cardiologista londrinense Dr. Ricardo Rodrigues (CRM PR 11852) explica que, por não apresentar sintomas na maioria dos casos, a hipertensão é chamada de inimiga silenciosa. “Muitas pessoas só descobrem que são hipertensas após um evento mais grave, como um infarto ou derrame. Por isso, é fundamental medir a pressão com regularidade, principalmente a partir dos 40 anos, ou em pessoas que possuem histórico familiar da doença”, destaca.

Entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento da hipertensão estão o sedentarismo, o consumo excessivo de sal, o tabagismo, a obesidade, o consumo frequente de bebidas alcoólicas e o estresse. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a adoção de hábitos saudáveis pode prevenir ou retardar o aparecimento da hipertensão arterial, além de ser parte fundamental no controle da doença já instalada. A recomendação inclui prática regular de atividade física, alimentação com baixo teor de sódio, controle de peso, cessação do tabagismo e acompanhamento médico periódico.
“O controle da hipertensão não depende apenas de medicamentos. Alimentação balanceada, prática de atividade física regular, sono de qualidade e redução do estresse são medidas que fazem a diferença. É um compromisso com a própria saúde, que começa com o conhecimento e com o diagnóstico precoce”, reforça o especialista.
Metade dos hipertensos não sabe que tem a doença
A OMS também aponta que quase 50% das pessoas com hipertensão no Brasil desconhecem o diagnóstico ou não realizam o tratamento de forma adequada. A condição é, na maioria das vezes, silenciosa, o que torna o diagnóstico precoce um desafio e, ao mesmo tempo, uma urgência de saúde pública.
“O problema é que muitas pessoas só se preocupam com a pressão arterial quando já sofreram um evento grave, como um infarto ou um derrame. Isso precisa mudar. Medir a pressão regularmente é um gesto simples, mas que pode salvar vidas”, alerta Rodrigues.
Além da falta de sintomas claros, o desconhecimento sobre os riscos da hipertensão também contribui para o número elevado de casos não diagnosticados. “Não é porque você se sente bem que está tudo certo. A hipertensão não avisa. Ela se instala aos poucos, silenciosamente, e pode causar danos irreversíveis se não for acompanhada”, complementa o médico.
A hipertensão arterial está associada a aproximadamente 40% dos casos de infarto e 80% dos acidentes vasculares cerebrais (AVCs) registrados no país. Essas complicações representam grande parte das mortes por doenças cardiovasculares no Brasil, o que reforça a gravidade do problema.
Combater a hipertensão é uma medida essencial na prevenção das doenças cardiovasculares, que continuam entre as principais causas de morte no Brasil. “A orientação é clara: acompanhe a sua pressão regularmente, mantenha hábitos saudáveis e procure acompanhamento médico ao menor sinal de alteração”, finaliza o cardiologista Ricardo Rodrigues.