Mortes de atletas em maratonas e triatlos acendem alerta para doenças cardíacas silenciosas

Combinação de esforço extremo, predisposição genética e doenças cardíacas silenciosas pode culminar em fatalidades
Por Comunicação Centro do Coração
As recentes mortes de atletas durante maratonas e provas de triatlo acenderam um alerta importante sobre os riscos cardiovasculares envolvidos na prática esportiva de alta intensidade. A combinação de esforço extremo, predisposição genética e doenças cardíacas silenciosas pode transformar eventos esportivos em situações fatais, especialmente quando não há acompanhamento médico adequado.
O caso mais recente ocorreu nesta semana com a atleta etíope Yebrgual Melese, campeã da Meia Maratona de Portugal em 2018. Aos 36 anos, ela passou mal durante um treino, chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu. A morte foi confirmada pela Federação de Atletismo da Etiópia.

Segundo o cardiologista Ricardo Rodrigues, muitos desses episódios poderiam ser evitados com exames preventivos e avaliações periódicas. “Existe uma falsa ideia de que quem pratica atividade física intensa está automaticamente protegido contra doenças do coração. Nem sempre é assim. Algumas alterações cardíacas são silenciosas e só se manifestam em situações de grande esforço”, explica.
De acordo com o especialista, entre as principais causas de morte súbita em atletas estão arritmias cardíacas, cardiomiopatias, infarto agudo do miocárdio e problemas congênitos não diagnosticados. “O coração também é um músculo e precisa ser avaliado antes de ser submetido a cargas extremas de esforço. Um check-up cardiológico pode identificar alterações importantes e salvar vidas”, destaca Ricardo Rodrigues.
Nos últimos meses, diversos casos envolvendo corredores e triatletas que sofreram mal súbito durante competições ganharam repercussão internacional, aumentando o debate sobre segurança nas provas de endurance.
O médico reforça que a avaliação cardiológica deve fazer parte da rotina de qualquer pessoa que pretenda participar de provas de longa distância.
“Não basta apenas treinar. É fundamental entender como está a saúde cardiovascular. Exames como eletrocardiograma, teste ergométrico e ecocardiograma ajudam a reduzir riscos”, afirma.
Outro ponto importante, segundo o cardiologista, é respeitar os limites do corpo e ficar atento a sintomas que muitas vezes são ignorados pelos atletas.
“Dor no peito, falta de ar desproporcional, palpitações, tontura e desmaios nunca devem ser considerados normais durante exercícios físicos”, alerta.
Apesar dos riscos, Ricardo Rodrigues ressalta que a prática esportiva continua sendo altamente recomendada quando realizada com acompanhamento adequado.
“O exercício físico é um dos maiores aliados da saúde cardiovascular. O problema não está no esporte, mas na ausência de avaliação médica e no excesso sem preparo adequado”, conclui.